Pergunte a um fumante o porquê ele fuma? A resposta é sempre a mesma: porque gosta.

Não é segredo para ninguém os malefícios à saúde causados pelo consumo de tabaco. E os apreciadores sabem todos eles na ponta da língua, mesmo assim ficam indiferentes. Afinal, só quem sabe o prazer de fumar é que entende o porquê desse habito tão polêmico.

Navegando na internet, encontramos essa matéria muito interessante do Prof. Artur Reis publicada em seu blog em 27 de Novembro de 2012.

No Brasil, desde a aprovação da Lei Estadual 13.541 de 07 de maio de 2009 de São Paulo que proibe o fumo em locais fechados e estabelece diretrizes para venda e distribuição de produtos derivados de tabaco, qualquer tipo de propaganda de fumo foi banida da mídia. E em 2014, a Lei se tornou Federal e agora se aplica a todo o território nacional. É a forma do governo expressar que eles são contra o consumo de tabaco. Mas e os nossos governantes? Será que eles não fumam? Não degustam charutos “cubanos” quando estão em seus momentos de lazer? É de se pensar…

Abaixo uma pequena reprodução adaptada do texto. Quem tiver interesse, o link para a matéria completa está no final da página. Lembrando que nós do Espaço Quai D’Orsay Tabacaria | Bar | Café não somos uma “escola para aprender a fumar“. Cada um é livre para fazer o que quiser, lembrando sempre que não existem níveis seguros para consumo dessas substâncias.

Algumas imagens retiradas de jornais de 1951, quando o tabaco era anunciado na mídia.

jornal 1951 - continental jornal 1951


 HISTÓRIA DO CIGARRO: A EVOLUÇÃO DE UM PRODUTO POLÊMICO
Por Artur Reis

PrinceAlbertTobacco-1913A (1)Aproveitando o contexto atual marcado pela polêmica sobre os efeitos nocivos do fumo, apresento a seguir uma breve retrospectiva da evolução do cigarro como produto, com foco na indústria tabagista, a partir da coletânea de diversas publicações encontradas sobre o tema.

O objetivo é tentar prover uma perspectiva mercadológica do desenvolvimento do cigarro como produto, influenciado por fatores sócio-culturais, econômicos, históricos, geográficos, etc.

Não é, portanto, objeto desta postagem fazer críticas à indústria tabagista, ou ao sucesso das campanhas publicitárias e dos instrumentos de marketing usados para atrair e fidelizar consumidores. Porém é relevante mostrar como o mercado e as indústrias tabagistas se moldaram, diante das pressões e das regulações feitas pela sociedade e pelos governos de diversos países, em função dos graves problemas de saúde causados pelo fumo. Acredito que essa postagem possa também ajudar a explicar o surgimento de conglomerados industriais a partir da tendência de diversificação da indústria tabagista.

Para a elaboração dessa postagem, recorri a diversas publicações sobre o tema, muitas das quais foram  traduzidas por mim, complementadas com informações corrigidas,  comentários, fotos e imagens encontradas na minha pesquisa.

Cigarros Prince Albert da Reynolds

1 – A origem do Tabaco

Trecho traduzido do documento “História, Economia e Danos do Tabaco”, publicado pela Health Literacy – vide original em:

http://healthliteracy.worlded.org/docs/tobacco/Unit1/2history_of.html

O tabaco tem uma longa história originada nas Américas. Os índios Maias do México esculpiam desenhos em pedra mostrando o uso do tabaco. Estes desenhos datam de algo entre 600-900 DC. O tabaco era cultivado pelos índios americanos antes dos europeus saírem da Inglaterra, Espanha, França e Itália para a América do Norte. Os nativos americanos fumavam tabaco através de uma espécie de tubo para fins religiosos e médicos. Eles não fumavam todos os dias.

O tabaco foi a primeira safra cultivada com fins comerciais na América do Norte. Em 1612 os colonos da primeira colônia americana em Jamestown, na Virgínia, plantavam o tabaco como cultura de rendimento. Era a sua principal fonte de dinheiro. Naquela época as outras culturas comerciais eram o milho, algodão, trigo, açúcar e soja. O tabaco ajudou a financiar a Revolução Americana contra a Inglaterra. Além disso, o primeiro presidente dos EUA também cultivava dukes+mixturetabaco.

Por volta de 1800, muitas pessoas passaram a consumir pequenas quantidades de tabaco. Alguns mastigavam.  Outros fumavam ocasionalmente através de um tubo, ou enrolavam manualmente o cigarro ou o charuto. Em média, as pessoas fumavam cerca de 40 cigarros por ano. 

 Raleigh, Carolina do Norte. Seus cigarros de palha eram vendidos aos soldados no final da Guerra Civil.Os primeiros cigarros comerciais foram feitos em 1865 por Washington Duke em sua fazenda de 300 acres em Raleigh, Carolina do Norte. Seus cigarros de palha eram vendidos aos soldados no final da Guerra Civil.

Fonte: http://www.appalachianhistory.net/2012/08/origin-of-phrase-dukes-mixture.html

2 – A Evolução da Indústria do Tabaco

Segue agora a minha tradução de um trecho do estudo publicado pela Faculdade de Direito da Universidade de Dayton, que apresenta detalhes sobre a evolução da indústria tabagista, incluindo algumas correções.

Vide: http://academic.udayton.edu/health/syllabi/tobacco/history.htm

O Novo Mundo descoberto

MedicinalhistoriaEm 15 de outubro de 1492 Cristóvão Colombo, ao chegar à América, recebeu como presente dos índios americanos, folhas de tabaco secas. Logo depois os marinheiros trouxeram tabaco de volta para a Europa e essa planta passou a ser cultivada em toda a Europa.

A principal razão para a crescente popularidade do tabaco na Europa eram suas supostas propriedades de cura. Os europeus acreditavam que o tabaco poderia curar quase tudo, de mau hálito ao câncer. Em 1571, um médico espanhol chamado Nicolas Monardes escreveu um livro sobre a história das plantas medicinais do mundo novo. Nessa publicação, ele alegava que o tabaco poderia curar 36 problemas de saúde.

TR Thomas Harriot 090123Em 1588, Thomas Harriot, um reconhecido inglês (matemático, astrônomo, etnógrafo, tradutor e explorador) escreveu um extenso livro narrando seus achados em sua viagem a Virgínia, detalhando os hábitos dos nativos do Novo Mundo (englobando Flora, Fauna, recursos naturais). Esse foi o primeiro livro em Inglês sobre a nova terra que passou a ser referência. A partir de seus estudos Harriot promoveu o fumo como um caminho viável para uma dose diária de tabaco. Infelizmente, ele morreu de câncer de nariz (porque na época era comum inspirar a fumaça do fumo pelo nariz).

Durante os anos 1600, o tabaco ficou tão popular que chegou a ser negociado como moeda! O tabaco era literalmente, “tão bom quanto o ouro!” Este foi também um momento em as pessoas passaram a perceber alguns dos efeitos perigosos do tabaco. Em 1610, Sir Francis Bacon percebeu que tentar acabar com o mau hábito era algo muito difícil!

Em 1632, 12 anos após o navio Mayflower¹ chegar a Plymouth Rock, fumar publicamente era ilegal em Massachusetts. Isso tinha mais a ver com as crenças morais da época, do que preocupações de saúde sobre o tabagismo.

Em 1760, Pierre Lorillard criou uma empresa em Nova York para processar tabaco, charutos e rapé. Hoje, P. Lorillard é a empresa mais antiga de tabaco nos EUA

Obs. 1: Mayflower (literalmente “flor de maio”) foi primeiro e famoso navio que, em 1620, transportou os chamados Peregrinos, do porto de Southampton, da Inglaterra, para o Novo Mundo. Fonte: Wikipédia

Tabaco: uma indústria em crescimento

Em 1776, durante a Guerra Revolucionária Americana, o tabaco ajudou a financiar a revolução, servindo como garantia para os empréstimos obtidos junto à França. Ao longo dos anos, mais e mais cientistas passaram a entender melhor os produtos químicos contidos no tabaco, bem como os efeitos nocivos a saúde que o fumo produzia.

Em 1826, a forma pura da nicotina é finalmente descoberta. Pouco tempo depois, os cientistas concluem que a nicotina era um veneno perigoso. Em 1836, Samuel Green, da Nova Inglaterra, indicava que o tabaco era um inseticida, um veneno, e que poderia matar uma pessoa.

Em 1847, a famosa Phillip Morris é estabelecida, vendendo cigarros turcos enrolados à mão. Logo depois, em 1849, a empresa J. E. Liggett and Brother² é estabelecida em St. Louis, Missouri (empresa que recentemente esteve envolvida num grande processo).Liggett

Os cigarros tornaram-se populares nesta época, quando os soldados os levavam de volta para a Inglaterra, obtidos junto aos soldados russos e turcos. Os cigarros nos EUA eram feitos principalmente das sobras da produção de outros produtos do tabaco, especialmente de tabaco de mascar. Mascar tabaco (fumo) tornou-se bastante popular neste momento com os “cowboys” do oeste americano.

Em 1875, R. J. Reynolds Tobacco Company (mais conhecida pela sua folha de alumínio Reynolds Wrap) foi estabelecida para produzir fumo de mascar.

Não foi até a década de 1900 que o cigarro tornou-se o principal produto do tabaco produzido e vendido. Ainda assim, em 1901, 3,5 bilhões de cigarros foram vendidos, enquanto 6.000 bilhões de charutos eram comercializados.

Em 1902, a britânica Phillip Morris inaugura a sede em Nova York para comercializar seus cigarros, incluindo a marca Marlboro (hoje famosa). Junto com a popularidade dos cigarros, no entanto, começou uma pequena, mas crescente campanha antitabaco, com alguns estados norte-americanos propondo a proibição total do tabaco.

No entanto, a demanda por cigarros cresceu e, em 1913, a RJ Reynolds começou a comercializar sua famosa marca de cigarros chamada Camel.

Obs. 2: J. E. Liggett and Brother – em 1878 passou a ser denominada, Liggett & Myer Tobacco Manufacturing Company. Na época foi a maior empresa produtora de tabaco (fumo) para mascar. Produzia a famosa marca de cigarros L&M.

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Liggett  Myers Cigarette Factory Richmond
Liggett Myers Cigarette Factory Richmond

Guerra e Cigarros: uma combinação mortal

MalboroFemaleO uso de cigarro explodiu durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), onde os cigarros eram apelidados de “fumaça de soldado”.

Em 1923, a marca Camel controlava 45% do mercado dos EUA. Em 1924, Phillip Morris começa a comercializar Marlboro como um cigarro feminino, por ser “suave como o mês de Maio!

AmTobacco_largePara combater isso, American Tobacco Company, fabricante da marca Lucky Strike, começa a comercializar o seu cigarro para as mulheres e conquista 38% do mercado. As taxas de tabagismo entre adolescentes do sexo feminino logo triplicam durante os anos de 1925-1935!

Em 1939, a American Tobacco Company lança a nova marca de cigarro Pall Mall, que a permite se tornar a maior empresa de tabaco nos EUA!

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Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as vendas de cigarros estavam em alta. Os cigarros foram incluídos nas rações para soldados (como comida!). As empresas de tabaco enviaram milhões de cigarros para os soldados combatentes, de graça. E quando esses soldados retornaram para casa, as empresas tiveram um fluxo constante de clientes fiéis.

Durante a década de 1950, ficou mais e mais em evidência o fato que o tabagismo estava associado ao câncer de pulmão. Embora a indústria tabagista negasse os riscos para a saúde, as empresas desenvolveram novos produtos que eram “mais seguros”, como os cigarros com filtro e com menos alcatrão.

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Em 1952, P. Lorillard promovia sua marca Kent com o filtro “micronite”, que continha amianto! Felizmente foi descontinuada em 1956. Em 1953, o Dr. Ernst L. Wynders descobre que o alcatrão do cigarro colocado sobre as costas dos ratos provoca tumores!

Em 1954, a R. J. Reynolds lança a marca Winston com filtro.

E em 1956 a Reynolds introduz a marca Salem, que foi o primeiro cigarro com ponta de filtro com sabor mentol.

Riscos à Saúde Revelados!

Em 1964, o relatório do Surgeon General³ (cirurgião Geral) sobre “Tabagismo e Saúde” é emitido. Este relatório ajuda em permitir que o governo americano regule a propaganda e venda de cigarros. A década de 1960, em geral, foi um momento em que grande parte dos riscos do fumo à saúde foram relatados.

BravoEm 1965, os anúncios de cigarro de televisão são retirados do ar na Grã-Bretanha. Em 1966, as campanhas de saúde nos maços de cigarro começam a aparecer.

Em 1968 foi lançada Bravo uma marca de cigarros que não continha tabaco. Feito principalmente do alface, o produto miseravelmente fracassou como produto de massa. Contudo, instalada na Pensilvânia, nos EUA, a empresa ainda existe sob nova administração com o propósito de reduzir gradualmente a vontade de fumar.

Por causa da pressão da imprensa sobre o tabaco, as grandes empresas de tabaco começaram a diversificar seus produtos. A Phillip Morris compra a Miller Brewing Co., fabricante da cerveja Miller, Miller Lite e Red Dog. A R. J . Reynolds Tobacco Co. descarta o “companhia de tabaco” de seu nome, se tornando a R. J. Reynolds Industries(Indústrias R. J. Reynolds). Também começa a adquirir outros produtos, tais como o alumínio. A American Tobacco Company também tira “Tabaco” do seu nome, tornando-se a American Brands Inc.

Virginia Slims_1979Em 1971, os anúncios de televisão de cigarros são finalmente retirados do ar nos EUA, no entanto, ainda são o produto mais fortemente anunciado seguido dos automóveis. Em 1977, o primeiro nacional Smokeout Great American* ocorre.

Em 1979, o Surgeon General emite um relatório sobre as conseqüências do tabagismo para a saúde das Mulheres. Isto é dirigido ao crescente número de mulheres que adquirem o péssimo hábito de fumar. Alguns atribuem este fato ao mote da campanha publicitária da marca Virginia Slims: “Você percorreu um longo caminho baby!”

Obs. 3 – Surgeon General (tradução: Cirurgião Geral) – Ligado ao Departamento de Serviços Humanos e de Saúde do Governo Americano, é o porta-voz líder do governo federal sobre assuntos de saúde pública.

Obs. 4 – Smokeout Great American – grande evento social e anual promovido pela Sociedade Americana de Câncerque encoraja milhões de americanos a pararem de fumar.

O passado recente
Durante a década de 1980 havia muitos processos movidos contra a indústria do tabaco, devido aos efeitos prejudiciais dos seus produtos. Fumar se tornou politicamente incorreto, com muitos lugares públicos, proibindo as pessoas de fumar.

Em 1982, os relatórios do Surgeon General advertiam que o fumo passivo poderia causar câncer de pulmão. Fumar em espaços públicos passa a ser restritos, especialmente nos locais de trabalho.

Em 1985, o câncer de pulmão se tornou o assassino n º 1 das mulheres, superando o câncer de mama. A Phillip Morris continuou a diversificação dos seus negócios, adquirindo a General Foods Corporation e a Kraft Inc. em 1985. R. Reynolds também diversificou seus negócios, comprando a Nabisco (dos famosos biscoitos Oreos) e tornando-se a R. J. R. / Nabisco.

Em 1987, o congresso americano proibiu o fumo em todos os vôos domésticos com duração inferior a 2 horas. Em 1990, foi proibido fumar em todos os vôos domésticos, exceto para o Alasca e Havaí. Em 1990, os famosos sorvetes Ben &Jerry boicotam a R. J. R. / Nabisco, retirando os biscoitos Oreos dos seus produtos gelados.

Durante os anos 80 e 90, a indústria tabagista investe fortemente na comercialização de seus produtos em áreas fora os EUA, especialmente nos países em desenvolvimento na Ásia. A Marlboro é considerada a marca n º 1, mais valiosa do que qualquer outro produto, com um valor estimado em mais de US$ 30 bilhões. Durante esse período, há uma batalha entre Coca-Cola e Marlboro pela a marca número 1º no mundo.

Nos últimos, anos, há evidências crescentes que a indústria do tabaco sempre soube que os cigarros são prejudiciais, mas continuou a comercializar e vender. Há também evidências de que eles sabiam que a nicotina era viciante e explorado este conhecimento oculto de obter milhões de pessoas viciadas em este hábito perigoso!

A verdade está lá fora!

3 – Como o Tabaco se tornou uma indústria: A contribuição de James Bonsack

BonsackAté o início da década de 1880, o processo de produção de cigarro era manual e lento, limitando a expansão da oferta e do consumo.

O hábito de fumar cigarro se tornou realmente popular e generalizado a partir de 1881, quando James Bonsack inventou a máquina de produzir cigarros. O equipamento de Bonsack era capaz de produzir cigarros simétricos e com o mesmo comprimento, tornando-se comercialmente apelativo ao consumidor
Duke of Durham
Com a introdução da nova máquina foi possível aumentar substancialmente a produtividade. Enquanto antes se produzia 3 cigarros por minuto (máximo de 4.000 por dia em turnos de 24 horas), a Máquina Bonsack de cigarros chegava a fazer 120 mil cigarros por dia. Ele entrou no negócio com o filho do Duke Washington, James ”Buck” Duke.

Eles construíram uma fábrica e produziram 10 milhões de cigarros em seu primeiro ano e cerca de um bilhão de cigarros cinco anos mais tarde. A primeira marca de cigarro era embalada em uma caixa com cartões de beisebol e recebeu a marca Duke of Durham. Buck Duke e seu pai começaram a primeira empresa de tabaco dos EUA, chamada de American Tobacco Company.
Máquina BonsackEm 1990 foi fundada a BritishAmerican Tobacco, joint venture entre a American Tobacco Company e a UK’s Imperial Tobacco Company.

4 –  Algumas Marcas que Fizeram Sucesso no Mercado Americano

Camels – Eles são tão saborosos!
Chesterfield – Ele Satisfaz!
Fatima – Super Suave.
L&M – Orgulho em Fumar. 
Lucky Strike – Médicos dizem: Luckies irritam menos!
Lucky Strike – É tostado. Sua proteção para garganta contra irritação e tosse.
Viceroys com Filtro – Como seu dentista eu recomendaria Viceroys.
Philip Morris – Comprovação científica: Testado na garganta.
Malboro – papai, você sempre obtém o melhor de tudo, até em Malboro! 

5 – Segmentação de Mercado

Como qualquer produto de consumo, o mercado tabagista diversificou-se seguindo tendências e padrões diferentes. Embora o foco dessa postagem seja o cigarro, vale a pena mostrar alguns dos segmentos que surgiram no processo de formação do mercado tabagista e que permanecem até hoje.

a) Charutos
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b) Cigarrilhas ou cigarrilhos – normais, aromatizados, com ou sem ponteira
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c) Cachimbo
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d) Fumo de rolo (ou fumo de corda)
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e) Tabaco de mascar (chewing tobacco)
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f) Rapé
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g) Cigarros de palha
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SEGMENTAÇÃO DE CIGARROS

Ao longo do seu ciclo de vida, o cigarro cresceu e amadureceu, entrando numa fase de declínio que se arrasta e se prolonga por muito tempo e que não sabemos quando e como irá acabar. Mesmo assim, durante esse tempo diversas categorias e linhas de produtos foram criadas de acordo com as preferências dos consumidores. É importante ressaltar que o uso das ferramentas de marketing foi essencial na criação dos segmentos e no posicionamento das marcas no mercado de cigarros. Podemos observar algumas das categorias criadas:

1 – Premium (ligado ao luxo e sofisticação)

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Nat Sherman

2 – Estilo e elegância, sucesso, liberdade
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3 – Masculino, feminino

charmVirginia Slims_1979_2  Malboro Country_1968 MalboroCowboy2 Malboro_noir2female

4 – Com sabor – mentol
Kool

5 – Puro ou com filtro (forte ou suave)
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6 – Econômico ou popular (custo x benefício)
Vila Rica vila rica2


7 – Esportivo (apelo esportivo)
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Durante grande parte do século passado muitas campanhas fizeram a cabeça das pessoas, ajudando a associar a imagem de algumas marcas de cigarro à sofisticação, status, sucesso, charme, liberdade, determinação, aventura e esporte, etc.

6 – Marcas famosas de Cigarros no Brasil e Curiosidades

No Brasil a evolução da indústria do cigarro se confunde muito com a história da empresa Souza Cruz. Mas vamos fazer um breve resumo:

Até a chegada de Dom João VI ao Brasil, quando assinou o alvará de 1º de abril de 1808, não era possível abrir indústrias na “Colônia” para que não houvesse concorrência com Portugal. O primeiro processo de fabricação rudimentar do fumo se limitava ao rolo de fumo. Originado da França, o “Raper Le Tabac” deu origem ao termo rapéno Brasil. Com o costume do rapé introduzido na sociedade brasileira, algumas fábricas de rapé surgiram, inicialmente, em 1817 no Rio e posteriormente na Bahia. Fábricas caseiras de charuto também foram criadas, a partir de 1808, como concorrência ao rapé, concentradas principalmente na Bahia. Uma das principais empresas com atuação neste segmento era a Suerdieck, fundada em 1892, cujos produtos eram inicialmente voltados para a exportação.

O cigarro chegou ao Brasil apenas no inicio do século XX, quando começou a canibalizar o hábito de se fumar charuto. A fabricação de cigarros se desenvolveu principalmente no Rio, São Paulo e no Rio Grande do Sul. Algumas empresas se restringiam a desfiar o fumo em corda para venda direta ao consumidor, ou para os fabricantes de cigarros. Outros faziam o beneficiamento do fumo para exportação. O clima e a geografia do Brasil se adequavam muito a plantação e o beneficiamento do fumo.

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Albino Souza Cruz
Portal da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo
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Cigarros Dalila -Souza Cruz
Fonte:  Jacques Broder Blog

A Souza Cruz foi fundada no Rio de Janeiro, em 25 de Abril de 1903, pelo jovem imigrante português Albino Souza Cruz que colocou em operação a primeira máquina de produção de cigarros enrolados em papel.  Uma das primeiras marcas de cigarros lançadas pela Souza Cruz foi a Dalila

Com o objetivo de obter recursos para financiar a expansão do negócio, Albino Souza Cruz transformou a companhia em S. A., passando o controle acionário a British American Tobacco em 1914, porém permanecendo na presidência.  A partir daí a empresa cresceu, diversificou-se, tornou-se internacional e construiu usinas de processamento de fumo e fábricas em demais estados do Brasil (Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais).

Ao longo do século passado, a Souza Cruz se tornou um exemplo de empresa bem administrada que proporcionou muitas oportunidades e benefícios para seus gestores e colaboradores. Para atingir os consumidores na ocasião do desejo de fumar, possuía uma cadeia de distribuição bastante pulverizada, que chegava a locais quase inusitados. Nas ruas, o cigarro era vendido também “a retalho”, em fiteiros, bancas de jornais, camelôs, reduzindo assim o valor o custo unitário do cigarro.

Durante as décadas marcadas pela inflação em alta, o lucro principal da empresa advinha da boa gestão do fluxo de caixa. Neste período, a principal preocupação da empresa era recolhimento imediatamente o faturamento diário, muitas vezes mais de uma vez ao dia, visando obter ganhos com a aplicação financeira dos altos tributos incidentes sobre o produto. Já com a queda da inflação e a estabilização da economia brasileira, a Souza Cruz, assim como as demais empresas da indústria tabagista, foram obrigadas a se tornar em eficientes focando no resultado operacional.

A Souza Cruz enfrentou a concorrência de diversas empresas de grande porte, entre elas a J. R. Reynolds e a Philip Morris, além de empresas nacionais de menor porte.

Algumas marcas que fizeram parte da história do mercado de cigarros no Brasil

 1906-cigarro-juliom-esquita-estado
Cigarros Julio Mesquita – Homenagem ao Jornal Estado de São Paulo
 Cigarros Turcos1953
Cigarros Turcos
 1945.03.03-cigarros-bolero2
Cigarros Bolero
 Astoria 1952- Astoria2Astoria1
Cigarros Astoria

finest-cigarettes-odalisca_1920_Souza Cruz

Cigarros Odalisca

7 – Conclusão

Para finalizar deixo aqui uma mensagem de reflexão sobre a importância da indústria de cigarros no atendimento às necessidades do ser humano. Afinal, se o homem tem o desejo ou a necessidade de fumar, alguma empresa deve prover a solução.

Mas, até que ponto o uso de instrumentos de marketing como, campanhas publicitárias, degustação de produtos, patrocínios de eventos e técnicas de merchandising pode ser considerado antiético? Até que ponto as técnicas de marketing visando à conquista de novos clientes e fidelização dos clientes atuais podem ser consideradas como práticas inapropriadas. E até que ponto o uso das estratégias de marketing visando à conversão dos fumantes ocasionais em fumantes inveterados são abomináveis?

Fonte: http://professorarturreis.blogspot.com.br/2012/11/a-historia-do-cigarro-evolucao-de-um.html